Sul da Bolívia


Uma volta pelo sul da Bolívia, passando por Santa Cruz, Sucre, Potosí e Uyuni

Saí do Brasil por Corumbá. Fiquei esperando 18 horas a saída do "Trem da Morte"
e agüentei mais umas doze horas e cheguei a Santa Cruz. A melhor opção sem dúvida é pegar uma avião de Porto Suarez. Custa o dobro do preço mas compensa.

Santa Cruz é a segunda maior cidade da Bolívia. Não gostei de lá. Em um país pobre como a Bolívia, passam pelas ruas dezenas de camionetes 4x4 novas, há lojas de grifes européias e um clima de ilegalidade constante. A polícia é pouco confiável e a maioria das pessoas está preparada para tentar enganar estrangeiros.

De Santa Cruz fui para Sucre, antiga capital do país e sede do poder judiciário. A cidade preserva alguns prédios coloniais interessantes. Não deixe de visitar a feira de Tarabuco realizada todos os Domingos. Na pequena vila a 3 horas de ônibus da cidade, índios de toda a região chegam com roupas tradicionais e vendem artesanatos exclusivos. Há muitos turistas, mas não chega a incomodar.


Potosi: Cidade vista do Cerro Rico


Potosi: Casa de la Moneda, dos melhores museus da Bolívia

A próxima parada foi Potosi, a 4.070 metros acima do nível do mar. Fundada no século XVI, chegou ao auge no século XVIII, quando a extração e comércio da prata a tornou a maior e mais rica cidade das Américas. Destino preferido de aventureiros e bandidos, sua riqueza era tão grande que, de acordo com uma lenda local, durante alguma festa religiosa um governante mandou trocar os paralelepípedos das ruas da cidade por barras de prata.

As igrejas barrocas e ruas estreitas cheias de balcões de madeira trabalhada compensam o frio e o cheiro de urina. A atração mais tradicional da cidade é a "Casa Real de la Moeda". O prédio do século XVIII é bem preservado e já vale o ingresso. Há também equipamentos para cunhagem de moedas do tempo da colônia e outros objetos. A visita às minas é fundamental para entender o lugar. Os métodos de extração e condições de trabalho são os mesmos de 300 anos atrás. A expectativa de vida dos trabalhadores é, até hoje, de 35 anos. Não deixe de levar folhas de coca para os mineiros. É educado e uma boa maneira de puxar papo com os poucos mineiros que falam espanhol.

 

Potosi: as igrejas barrocas misturam elementos decorativos indígenas


Potosi: O Cerro Rico já foi 300 metros mais alto. Compare a mudança da montanha observando pinturas coloniais nos museus da cidade.

Da cidade da prata fui para Uyuni, porta de entrada do maior salar do mundo e saída do passeio de três dias e inclui a as lagoas Verde e Colorada. A cidade é triste. Lá encontrei o pior banheiro do mundo. O buraco cheirava a mais de 30 metros de distância. Na avenida principal, em frente a estação de trem, existe uma das estátuas mais feias do mundo, batizada informalmente de "Silverman". As hospedagens e as melhores excursões lotam rapidamente logo após a chegada do ônibus diário, no final da tarde. Vale a pena sair correndo do ônibus e tentar achar um local decente para dormir. De lá é possível seguir de trem até a Argentina ou seguir para São Pedro de Atacama.


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