Em uma tarde de sol, com ventos leves a sudoeste e temperatura de - 23ºC uma bandeira de seda vermelha e azul foi fincada no meio de uma planície branca, no ponto mais ao sul do planeta.
Um dos maiores desafios à coragem, planejamento e organização humana havia sido vencido. No dia 14 de dezembro de 1911, por volta das 15h, o último viking, Roald Amundsen, chegou ao pólo sul.
Ironicamente, não era a vitória sonhada pelo notável explorador. "Nenhum homem jamais esteve em um ponto tão diametralmente oposto ao seu real desejo", escreveu Amundsen relembrando aquele momento histórico.
A obsessão de Amundsen sempre foi o pólo norte. Desde a juventude devorava livros sobre a exploração no Ártico, principalmente os relatos de Sir John Franklin, que desapareceu em 1845 junto com seus navios "Erebus" e "Terror" tentando atravessar a "passagem noroeste", um atalho entre a Europa e a Ásia passando pelo norte do Canadá.
Amundsen era filho de um próspero proprietário de navios mercantes e chegou a estudar medicina para fazer a vontade da mãe. Mas, quando seus pais morreram em 1893, vendeu os livros e começou a dedicar-se exclusivamente a carreira de explorador.
Sistemático, acreditava que uma das maiores causas de fracasso das explorações no ártico era falta de capacidade comandar um navio. Assim, no ano seguinte embarcou junto com caçadores de focas para aprender os segredos dos mares gelados.

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