A conquista do pólo sul não sossegou o último viking. A primeira guerra mundial adiou seus planos, mas em Junho de 1918, Amundsen partiu no navio Maud e ficou mais dois invernos preso no gelo. Depois, em 1925, acompanhado do americano Lincoln Ellsworth, tentou sobrevoar o pólo norte com dois pequenos aviões, mas problemas técnicos derrubaram as aeronaves logo no início da tentativa.
Em 1926, Amundsen finalmente conseguiu ver o pólo norte a bordo do dirigível Norge. A aeronave, construída pelo italiano Umberto Nobile, partiu de Spitsbergen e, em apenas 16 horas, foram lançadas no pólo as bandeiras da Noruega, Itália e Estados Unidos.
De volta, a disputa pela glória e o ciúmes causou rusgas entre Admunsen e Nobile. Então, o italiano, com apoio do ditador Benito Mussolini, construiu o dirigível "Italia" com a missão de pousar no pólo com uma equipe de cientistas.
Fortes ventos derrubaram o Itália no ártico. Amundsen, em uma prova de cavalheirismo, logo se ofereceu para participar das equipes de busca para salvar o rival Nobile e seus homens. O norueguês partiu de Spitsbergen em 18 de junho de 1928 em um hidroavião junto com 6 companheiros. Nunca mais foi visto.
Em uma entrevista no ano de sua morte Amundsen teria dito: "Se apenas você soubesse como é esplêndido por lá... É onde quero morrer...". Nobile foi localizado e resgatado em 22 de junho. O corpo de Roald Amundsen ainda está no Ártico.

Comentários
Roald Amundsen
Sobre o ato de generosidade de Amundsen eu tenho a narrar a todos uma história que ouvi no quartel:
"um certo tenente envolto em um combate ferrenho ordena aos seus comandados que abandonem seus postos e batessem em retirada, ele próprio o faria. Em plena retirada um dos soldados percebeu a ausência de um de seus amigos de pelotão. Ele pede ao oficial permissão para ir buscar seu amigo. O oficial tenta impedí-lo de ir sob o argumento de que seu amigo já deveria estar morto e que esse gesto acarretaria na morte de um segundo soldado. Porém, ante a insistência do comandado o oficial, sob protesto e veemente reprimenda autoriza a expedição solitária e aparentemente suicida, não, todavia, de deixar bem claro de que o homem não teria qualquer apoio na busca. Sozinho e envolto em seus pensamentos sobre o amigo perdido o soldado acaba sendo ferido sem maior gravidade. Só e ferido ele olha para um dos lados e vê seu amigo caído e mortalmente atingido. O soldado em missão pessoal aproxima-se do amigo abatido com a intenção de o pôr sobre os ombros. Para sua surpresa o moribundo tem tempo de lhe pronunciar algumas poucas palavras antes de expirar. O soldado leal carrega o corpo do amigo até alcançar seu regimento e o tal oficial que tentara impedir sua expedição de resgate e o mesmo o vê ferido e com um corpo sem vida nos ombros. O soldado encara o oficial nos olhos e diz: 'O senhor estava certo em parte, ao encontrar meu amigo ele estava quase morto mesmo assim ao ver-me ele disse: amigo, eu sabia que você viria buscar-me! Então, morreu.'
Aí está o centro da discussão, amigos não abandonam amigos: ninguém fica para trás! Viver sem lealdade é apenas respirar.
mirkosadv@hotmail.com